AQUAPARQUE: outra sorpresa dende Portugal

CREATIVA 2009 PRESENTA:

AQUAPARQUE (Portugal) + Dj Belen Flecha (Vigo)

La Fábrica de Chocolate Club (Rogelio Abalde, 22, Vigo). Venres 18 de decembro. 22.30 h.

BELEN FLECHA

Produtora, compositora, vocalista e dj afincada en Vigo; tamén encabeza en Galicia a nómina de produtores de hip-hop contemporáneo.

AQUAPARQUE

Unha agradable sorpresa musical do país veciño. Neste caso é unha proposta máis derivada cara as influencias de Radiohead e outros grupos de pop electrónico.

Os Aquaparque não fazem "canção portuguesa" (daquela que cheira obviamente a rio, saudade e outras coisas de postal), não fazem rock (aprenderam que era possível esquecê-lo para soarmos a nós, mesmo que tenham crescido com guitarras); talvez o que façam seja pop, mas que pop soa assim? Fazem, isso sim, e pela primeira vez desde os melhores Heróis do Mar, António Variações, GNR e Pop Dell’Arte, verdadeira canção de formas contemporâneas, cantada em português.

’É Isso Aí’, o seu disco de estreia é cantado como André Ferreira (letras,
programações, vozes) e Pedro Magina (voz principal, teclado), os dois membros, falam na rua, cá, um para o outro, para os amigos, para a família, para desconhecidos, mas também é mais que isso. É uma poética que por vezes soa a calão espiritual, por outras à mais fluente e simples das canções de amor, escárnio e rodopio. As melodias de voz e métricas de Magina uma espécie de Luís Portugal baleárico, uivos de peito aberto, pontuados por indicações vocais de Ferreira, algures entre um gingar pugilista e uma briga de rua transcendental.

As canções, colagens de samples tratados que dinamitam qualquer noção de género e vocabulário musical prévio. Batidas cortadas, guitarras acústicas retiradas do contexto, percussões tribais suburbanizadas, linhas de baixo fora de qualquer cartilha, sintetizadores de marinheiro perdido. Canções sem A>B, com várias secções, microuniversos, fontes sonoras, segmentos mixados, coisas que só podem ser contadas desta (outra) forma, que não soam a absolutamente mais nada que não isto, mesmo que informadas por pop, techno, hip hop, funk ou folk.

Para além de nos deixarem com um oceano de concretizações inauditas, os
Aquaparque deixam-nos com outro de possibilidades. No meio de hinos que soam a ancestral, bombas cáusticas a destilar humor e um domínio supremo do absurdo, à grande canção portuguesa de amor desta década, reside toda uma prova de como sermos enormes e autênticos, como mais ninguém o pode ser, e como tantos, pelo resto do mundo, se têm tornado em canção - originais, pioneiros, singulares. A maior das admirações a quem pensou e sentiu tanto que ousou fazer este disco, um marco da história da música nacional.

press release por Pedro Gomes

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